Direito e Cidadania

Blog relacionado a assuntos diversos, tendo uma dosagem específica à cidadania e ao Estado Democrátido de Direito.

27/3/08

Quem deve morrer?

Com a palavra, Dr. Aníbal Marques Bezerra

Meu nome é Átila. Sou um belo exemplar canino da raça rottweiler. Minha missão é proteger meu dono, dando segurança a sua residência. Sempre acompanhado de outros 4 (quatro) irmãos caninos procuramos cumprir nossa missão. Tomamos conhecimento que várias residências próximas foram visitadas por pessoas indevidas que surrupiaram objetos de valores. A residência de meu dono nunca foi invadida. Eis que um dia, inesperadamente, fomos visitados pelos Agentes de Saúde Municipal para exames periódicos. Passados alguns dias chegou o resultado e foi constatado que eu e mais dois irmãos tínhamos contraído uma doença por nome leishmaniose, conhecida popularmente como CALAZAR. Tomei conhecimento de que essa doença é transmitida por um maldito mosquito. Por fim fui sacrificado. Hoje eu e meus irmãos infectados pelo maldito mosquito estamos mortos e pouco está sendo feito para a prevenção da doença, já que ela é transmitida por um mosquito. Mais uma vez para proteger nosso dono, desta vez de uma possível contaminação. E o mosquito que me picou continua vivo. Ele sim está causando o grande mal e deveria ser sacrificado em meu lugar. Sabem porque não combatem o mosquito? Bem, agora vem a parte mais polêmica que é o tratamento ou extermínio de animais positivos. Antes de mais nada, é recomendação dos órgãos da saúde pública que se extermine os positivos. No entanto, pesquisas têm sido feitas e protocolos de tratamento têm sido utilizados com bons resultados. E apesar de procurar ser mais imparcial possível, acredito que além de um profissional de saúde pública o veterinário deve ser um profissional que ame, respeite e queira preservar a vida de seus pacientes. O sacrifício sumário de um animal de estimação traz grande dor. Tenho visto que o extermínio de cães positivos tem sido mostrado como única forma de combate. Acredito que mesmo que se exterminasse todos os cães do País o problema não acabaria. Já vi referências que roedores, gatos, raposas e outros animais podem, assim como o cão, servirem de hospedeiros. Porque não é o cão que transmite a doença para outros cães e o homem. É O MOSQUITO! Sem o mosquito não haveria o ciclo. Funciona assim: O mosquito pica um cão sadio que se contamina. No organismo do cão a Leishmania se desenvolve. Então um mosquito pica este cão e se picar outro cão ou uma pessoa, pode contaminá-la. No entanto, o contato cão-cão ou cão-homem não dissemina a doença. Funciona assim: mosquito-cão-mosquito-cão ou mosquito-cão-mosquito-homem. Dessa forma me parece bastante lógico que o combate ao mosquito é, ou poderia ser, muito mais eficaz. No entanto, a questão do combate ao mosquito é muito mais complexa que simplesmente extermínio de cães. "O cão não é o vilão da história e sim, o mosquito". A vacina, aprovada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), garante uma eficácia de 92 a 96%. Apesar da aprovação, o Ministério da Saúde não reconhece o uso da vacina em campanhas públicas. De acordo com o veterinário Ricardo Henz, uma vez constatada a eficácia, a divulgação da vacina e a utilização em campanhas seria obrigatória, mas isso traria custos. “Ao invés de tratarem os animais, preferem exterminá-los. É mais fácil e econômico”, ressalta Geusa Leitão, presidente da União Internacional Protetora dos Animais (Uipa). Segundo Geusa, é necessário que toda a população se mobilize, para que a vacina possa ser divulgada e utilizada. “É inadmissível que esses animais continuem sendo capturados e mortos”, complementa. Segundo ainda Ricardo Henz, em vez dos animais serem sacrificados, o Ministério da Saúde poderia estar utilizando a vacina, que durante dois anos, foi oferecida gratuitamente pelo Laboratório Fort Dodge, responsável pela produção. “O MS optou por ignorar a oferta das doses da vacina, pois se fossem utilizadas com sucesso, a inclusão delas em campanhas públicas se tornaria obrigatória”. Minha pergunta final: Quem deve morrer?

* Aníbal Marques Bezerra é Bacharel em Letras pela Universidade Estadual do Rio Grande do Norte

Belo artigo!
Esperamos que as pessoas reflitam , como também o poder público.

criado por diegotobias    11:27 — Arquivado em: Sem categoria

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